Haverá de ficar orgulhoso e se sentir invencível o primeiro homem compromissado que descobrir o motivo pelo qual a sua mulher o escolheu. Este é o maior mistério de um relacionamento. Deve haver, por trás desse segredo, por debaixo desse véu de dúvida, tão delicado, uma extraordinária e feliz conjunção de química com circunstâncias, que começa no flerte e se confirma na cama. Do jeito, do tato e do cheiro à intuição atávica, natural, de que ele, o eleito, a fará mais feliz.
Porque me parece que é isso, e quiçá só isso, o que acontece: as mulheres ficam para si com os homens que as fazem mais mulheres, que as deixam mais femininas, que silenciosamente as estimulam a ser o que gostam de ser: mulheres, mulheres confiantes, felizes. E não existe mulher mais mulher do que a que se sente e se enxerga mais jovem. Por isso o espelho é, em geral, a bad trip da mulher. Acontece que você é o homem dela porque você a salva dessa viagem ruim e a faz sentir-se jovem. O mais masculino dos talentos: formar um casal e rejuvenescer uma mulher.
Talvez seja por isso que não haja verde, indireta, pergunta ou interrogatório que arranque da mulher-mais-que-mulher a explicação desse mistério: ela está tão realizada, satisfeita e contente “que nem sei” – e aí se sai com o que lhe ocorrer de mais simpático e galanteador na hora, antes de pegá-lo pelas bochechas e beijá-lo com a maior paixão dissimulada de que se tem notícia.
Pior, ou melhor: ao ser escolhido, você entra para a história da mulher, e a história de uma mulher é o acúmulo das suas escolhas amorosas – e consequências.
Cada mulher traz consigo a lembrança de todos os seus homens. Alguns se perderam no tempo, é verdade, mas por algum motivo tolo, como, por exemplo, o de o homem atual provocá-la com esse assunto, ela vai recordar que “sim, é mesmo, teve o Fulano, mas cruzes, nunca mais ouvi falar na criatura”. Outros que sumiram também, mas se materializam por acaso, do nada, na fila do supermercado, num corredor qualquer, dão aquele susto e desaparecem, porque já fizeram nova vida. Com um ou outro ela mantém contato, demora-se ao telefone ou pela internet, papo furado e descompromissado, em segredo. Um dos que a fizeram feliz de verdade ainda a procura, lhe escreve e-mails, refere-se aos velhos tempos, liga quando está na cidade, cutuca no Facebook: é um chato e não sabe disso, ela o tolera e o administra à distância. É triste, até, pois é possível que esse chato nunca vá compreender que o antípoda da mulher-mais-que-mulher, curiosamente, é o homem que não envelhece.
Mas você quer porque quer saber por que a sua mulher o escolheu, e pergunta de novo. Ela responde “sei lá, porque adoro o seu braço, desde o começo”. Você fica intrigado. Nunca notara o braço – é forte, não é, é magro, não é magro – e então passa a fazer flexões e a cultuar os braços, como fazem os braçudos. Semanas depois, ela vai reclamar, e reclamando demonstrar que o motivo dela é outro: “Eu gosto do seu braço, não desse aí, que parece…” de He-Man, de troglodita, sabe-se lá com o que ela vai comparar.
Claro: não é o braço, nem o cabelo, nem a altura, nem a barriga, nem a pronúncia. Se o braço for assim ou assado, melhor; se o cabelo ficar um pouco grisalho, mais charme; se for baixo e parecer alto, ou ser baixinho mesmo, não importa; barriga é coisa de homem; se falar naquele tom que ela gosta, e der o sorriso que ela ama, perfeito; mas nada disso será o motivo pelo qual ela o escolheu. O ponto central é que também por todas essas coisas você a faz mulher-mais-que-mulher.
E isso, elas sabem, não tem preço.
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Novembrada Cultural
Em 2004, a Frente em Defesa da Cultura Catarinense reuniu centenas de artistas e produtores em uma passeata na Capital, com Salim Miguel e Eglê Malheiros à frente, e conseguiu, junto ao governo do Estado, que a Fundação Catarinense de Cultura não fosse extinta, por exemplo. A Frente está de volta, ainda mais articulada, e ao longo deste mês promete “eventos e manifestações reivindicando as questões que já foram pauta de reuniões e mais reuniões, manifestos e mais manifestos, e, mais ainda, que sejam urgentemente resolvidas”. É mais uma tentativa de fazer os governos entenderem que é preciso que se crie de uma vez por todas uma política pública para a Cultura no Estado.
Maratona Cultural
Para conhecer mais e melhor os artistas catarinenses, e ver convidados nacionais, entre os dias 25 e 27 – um fim de semana – vai ocorrer a Maratona Cultural de Florianópolis. Música, artes plásticas, cinema, teatro, literatura apresentados em 23 diferentes lugares da cidade, do Ribeirão da Ilha ao Forte de Santa Bárbara, da Barca dos Livros ao Mercado Público, do Teatro da UFSC à Escadaria do Rosário. É a primeira vez que um evento desse tipo, com essa abrangência, ocorre na cidade, dizem os organizadores.
Descanso
Para você que trabalha amanhã, que o domingo lhe seja leve – pelo menos, até a hora do Fantástico. Para quem vai fazer feriadão, que o domingo se estenda até terça-feira.
