Crônica 12/11 – Diário Catarinense


Pelo litoral

É sábado, e se a previsão do tempo tiver errado e tudo sair conforme as nossas expectativas, o dia amanhecerá lindo. O sol vai aparecer e esquentar o quarto, o céu estará azul convidando à rua. Vamos lavar o rosto, tomar um farto café da manhã, escovar os dentes e nos olhar no espelho com o rosto besuntado de protetor solar. Você vai usar este biquíni novo que descobriu e comprou naquela lojinha simpática, vestir um short e calçar chinelos. Eu vou, ora, ora, estrear a sunga boxe que você me presenteou e faz questão de que eu use hoje. Juntaremos as cadeiras ao guarda-sol, você vai preparar aquela bolsa, aquela sacola, sei lá, com tudo que é preciso levar para a beira da praia, esses cuidados e esses confortos de que só mulher se lembra: mais protetor solar para o corpo e para o rosto, óculos escuros, carteira, toalhas, uma canga, os telefones, um bom livro. Vamos acomodar tudo no carro e pegar a estrada do litoral.

Como é grande a costa de Santa Catarina! Como a conhecemos pouco! Já fomos para o Norte, não muito longe, é verdade, algumas dezenas de quilômetros. E, no entanto, o quanto vimos por lá! Praias de que não sabíamos o nome e só tínhamos visto pelo Google Maps. Estradas em geral bem cuidadas, inteiras, ainda novas, que nos deixam apreciar uma natureza de cartão-postal. As banquinhas de beira de rodovia, de marginal, o caldo de cana, o suco gelado, o picolé de fruta, a cerveja no ponto. E essa estradinha, para onde será que leva? Vamos descobrir agora. E então surge um mirante que não pode ser ignorado e que nos permite ver, ainda distante, lá longe, esse mar azul catarinense, lindo como nas propagandas oficiais de turismo, como nos filmes de férias de verão. De 10 a 0 nos dos estados vizinhos.

Armaremos o guarda-sol e ficaremos esparramados nas cadeiras. Eu à sombra, você ao sol, provavelmente. E, juntos, faremos nada. Apenas olhar o mar, o céu, queimando. Se não estiver ventando forte, eu vou para a água assim mesmo, e lá ficarei por bom tempo, esquecido da vida e do resto. De vez em quando, ou pelo menos uma vez, eu vou procurá-la na areia, e acenar de longe. Você vai espichar o pescoço, sorrir e acenar de volta. É com esses pequenos gestos que se faz um bom sábado.

Mais pessoas chegarão à praia, trazendo mais ou menos acessórios, mais ou menos vontade, mais ou menos entusiasmo. E aos poucos, a cada meia hora arrastada, que é como o tempo passa na praia, a faixa de areia estará bem ocupada. Ocupada demais para a nossa preguiça. Não tem jeito: quando o espaço não for mais nosso, recolheremos tudo e embarcaremos no carro novamente.

Mais um passeio, outra estradinha, desce aqui, entra por ali e chegamos a outra praia, esta mais deserta, já em outra cidadezinha. A praia é pequena, há pouca areia, os barcos de pesca estão atracados, ao balanço do mar sem ondas, por toda parte. Então um pescador, morador desde sempre do pequeno balneário, generosamente vai nos indicar aquela trilha ali, que sobe o pequeno costão esquerdo. Subiremos, desceremos e eis a prainha quase deserta, linda como nas propagandas oficiais de turismo, como nos filmes de férias de verão. De 10 a 0 nas dos estados vizinhos.

Uma rápida olhada nos permite perceber que é uma praia de baía, pedregulhos nas duas pontas, árvores, muitas árvores à beira-mar, oferecendo sombra natural. A areia é como aquela da Bahia, minada de conchas, pedrinhas – gostosa. Quando cair a tarde, de lá voltaremos renovados, energizados, mais felizes, acho até que mais catarinenses.

***

Hoover

Estreou nos Estados Unidos o filme J. Hoover. Dirigido por Clint Eastwood, traz Leonardo DiCaprio no papel de John Edgar Hoover, o temido chefe do FBI, o qual comandou durante 48 anos. Manolah Dargis, crítica de cinema do jornal The New York Times, assistiu ao longa e escreveu que Clint foca mais na vida privada – desconhecida aqui no Brasil, diga-se – do que na persona pública de Hoover. A conferir – sabe-se lá quando.

Moscou é aqui

Procure no Facebook uma foto do trânsito absurdo de Moscou, capital da Rússia. Quem viu, fechou: é Floripa às sextas-feiras, nas vésperas de feriado e das festas de fim de ano. Lá, porém, há uma ordenação esquisita nas filas, quase geométrica, estudada, que quase nos faz duvidar da autenticidade da imagem, já que estamos acostumados ao cada um por si e todos contra todos. Mas é verdadeira.

Chuva?

É sábado, mas se tudo der errado, se a previsão do tempo tiver acertado, o céu amanhecer encoberto e um vento frio trouxer chuva já pela manhã, azar. Façamos nada mesmo assim.

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